Blog do Dilson Oliveira

Coluninha indiscreta. Por Carlos Pinheiro. A solidão na morte.

Morrer não o atormentava tanto quando o medo da solidão na morte. Dizia que morrer é factível, portanto, não deveria nos angustiar, já ficar sozinho num mausoléu imponente ou num buraco de terra batida, aprisionado em resistente e hermética caixa de madeira, sem poder mover os braços, sem conseguir coçar o nariz, costume que carregava em vida e o fazia várias vezes ao dia, principalmente em estado nervoso na justificação de deslize ou de mentira, isso, sim, era tormentoso.


– E não poder coçar o saco? – perguntava afirmativamente, quase se engasgando na própria voz agônica, provocando risos nos amigos que enfeitavam sua fértil imaginação macabra com questionamentos de “não mais poder sair para dançar no Filé de Bode, jogar futebol no campinho do Cavaco, tomar cerveja geladinha no bar do Zequinha com o amigo Nivaldo Pereira, o homem das pedras preciosas, colecionador de Turmalinas Paraíba”.

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