Celebrada ao longo dos séculos, nascida rural e tornada urbana, a Festa Junina é a nossa mais autêntica expressão cultural, verdadeira identidade do povo nordestino. Me debrucei sobre nosso passado e tive a alegria de conhecer as contribuições multiculturais acrescentadas ao longo dos anos e fatos, que hoje formatam o modelo social do nosso ciclo junino.
Cultuando personagens dos evangelhos, João, o “Batista” por ser o personagem que batizava as pessoas na sua época e o pescador Simão, convertido em Pedro, ambos primo e apóstolo de Jesus, um terceiro personagem foi acrescentado para formar a trilogia: Santo Antônio, que não está na bíblia, ele nascido em Portugal e falecido na Itália em 13 de junho de 1231.
Originalmente, o evento nasce “Joanino” em alusão ao santo católico João. Com a colonização, os brasileiros preferem se referir ao termo “junino”, por ser celebrado no mês de Junho. A fogueira homenageia o nascimento do personagem central a partir de uma lenda, a tradição de fogos anunciando os recém-nascidos, as quadrilhas nasceram nos salões da nobreza francesa, o bacamarte veio da Espanha, o nome da arma foi definido pelos franceses, os balões e fogos são chineses, a culinária indígena e africana, com cocada, pamonha, canjica, pé de moleque etc.
O forró e as suas variações (xote, baião, xaxado) são originalmente executados pelo trio composto por Zabumba e o som grave, Sanfona que nasce como acordeom e o Triangulo metálico, acrescentado por Luiz Gonzaga, executando um som agudo e marcando o compasso. Em 1980, Caruaru recebe o slogan de Capital do Forró, título e refrão de um clássico composto por Jorge de Altinho e gravado em Lp pelo baiano grupo Trio Nordestino, que vendia 1 milhão de discos a cada lançamento no mercado fonográfico.
De uma forma muito saudável, a partir dessa década, inicia-se uma disputa com a cidade paraibana de Campina Grande com o objetivo de fazer o maior e melhor São João do mundo. A meu ver, não é uma disputa predatória, mas a proposta das duas cidades em fortalecer o nosso regionalismo.
Embalada na trilha sonora de Luiz Gonzaga e seus discípulos, esta época é a apoteose das tradições culturais no Nordeste, essa nação que preserva e multiplica suas manifestações e que chega ao século XXI mostrando ao Brasil a razão de termos tanto orgulho de ser nordestinos. O arraiá do Brasil começa aqui. Viva a cultura, viva o povo brasileiro, viva o rei do baião!
Prof. José Urbano
Historiador












