Rádio Difusora de Caruaru, a pioneira.

Por Professor, José Urbano.

Se tem algo que considero mágico, é a capacidade de comunicação do ser humano. Todos os animais na natureza foram dotados de uma única habilidade de diálogo, mas apenas uma. Exemplo: o gato que mia, o cachorro que late, a galinha que cacareja etc. Nós somos privilegiados, pois sabemos falar, cantar, fazer mímica, escrever, usar o Braille, etc. Concentrando na fala, tivemos a invenção singular: o microfone que capta o som, e o transmissor que o difunde nos receptores de rádios, hoje sem antenas e sem fios…um negócio mágico! E a infinita dimensão até onde esse sinal chega.
Foi nessa proposta comunicativa, que Caruaru recebeu a sua primeira emissora de rádio AM, em 6 de setembro de 1951, a Rádio Difusora de Caruaru.

Era uma ensolarada manhã de quinta-feira, vésperas do feriado da Independência, quando pessoas de várias localidades do agreste rumaram para a avenida Agamenon Magalhães, ainda na estrada de terra batida, onde vislumbraram o majestoso prédio pertencente ao senhor Francisco Pessoa de Queiroz, visionário empreendedor das comunicações no nordeste. Homem da política, onde exerceu os cargos de Deputado Federal e Senador, deixou a marca indelével do pioneirismo na imprensa e veículos de comunicação no Nordeste.

A rádio Difusora não chega como uma empresa isolada, mas como parte significativa em um grupo de cinco emissoras, que cria a primeira rede de rádios no interior do nordeste, integrante do sistema Jornal do Commercio de rádios, TV e jornal impresso.

Considero que era uma época na qual os radialistas eram mais artistas do que profissionais, em razão de todo o fazer no rádio era puro talento, desde a produção de programas, discotecas com Lps de Vinil e fitas cassete ou de rolo, máquinas de datilografia, jornal impresso para consulta, telex dos Correios etc. Hoje temos o playlist, quando um programador dispõe de 5 mil músicas num pendrive e faz uma programação em poucos minutos. Qualquer emissora fica mais de 24 horas no ar, sem uma única pessoa, coisas da modernidade da informática somada com a internet.
Outro desafio eram as transmissões de futebol ou externas, já que eram feitas por sinal de telefone. O locutor narrava noventa minutos de um jogo, sem saber se o sinal chegava ou não nos receptores!

O elenco de profissionais era outro destaque. Temos os pioneiros como Paulo Cordeiro, Everaldo Gomes, os irmãos Onildo e José Almeida, Arnaldo Carvalho , Amélio Cabral, seguidos por Cloves Gonçalves, e nos anos 80 José Batista, Geovani Rozendo, Combé Junior, Liezid Interaminense, Dilson Oliveira, Iran Carvalho, Edeilson Lins, entre outros. Inesquecível os programas Vesperal das Quintas e Expresso da Alegria, ou a Hora da Justa, além dos fantásticos Postal Sonoro, ofertando músicas aos aniversariantes e Ao Cair da Tarde, ambos sobre a apresentação da saudosa Zélia Maria, que recebeu um prêmio da Mais Bela Voz Feminina do Rádio Nordestino, no teatro da emissora e eu estava lá.

São tantas boas lembranças e histórias, que merecem um livro que narre todos os 70 anos de vida da emissora pioneira em Caruaru.

Viva a saudade, parabéns para a Rádio Difusora de Caruaru.

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