RACHA: Perpétua Dantas na base de Zé Queiroz

É muito simples compreender minha decisão e quem me conhece de perto sabia que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer! Sou uma pessoa coerente e preciso andar na minha cidade de cabeça erguida! Quando fui candidata, publiquei um Plano de Vereança (que consta na íntegra, nas minhas redes sociais), mesmo não havendo obrigação de o fazer. Eu fiz questão de caminhar por diversos segmentos, como o das pessoas com deficiência, política para mulheres LGBTQIA+, Igualdade racial, assistência social, esportes infraestrutura, zona rural entre outros. Contei com pessoas da sociedade civil organizada, que já atuavam nessas linhas de frente, para construir meu plano de Vereança sendo a mais fiel possível a ele – que sempre esteve totalmente alinhado ao plano de governo da Prefeita Raquel Lyra. Essas pautas de luta estão na minha vida e me fizeram chegar às secretarias de governo que estive a frente e só saí por vontade própria quando pedi exoneração em face da lei eleitoral!

Desde o início do mandato, houve pouquíssimo diálogo entre a casa legislativa e o poder executivo, havendo um descaminho do que eu entendia, para ampliar a discussão dessas pautas importantes e históricas. Desde a primeira emenda da minha autoria, a Lei criava o auxílio emergencial dos artistas, o Bem São João que percebi mais fortemente que o legislativo aqui não tem vez nem voz. Minha emenda era justa e constitucional, e acolhia os músicos instrumentistas, uma categoria que foi excluída do benefício. Começou a partir daí uma desarmonia no campo dessas lutas, principalmente porque eu não aceitei retirar a minha emenda. Critiquei inclusive a audiência pública que aconteceu já com a lei posta e sem diálogo com os artistas e a sociedade civil. Mesmo assim, ainda tive dez votos a favor, mas não foi suficiente e minha emenda não foi aprovada, o que eu já esperava.

Segui minha luta na vereança propondo diversos projetos de lei, fazendo requerimentos e indicações até chegar o momento da apresentação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária), quando foi encaminhada para casa, sem uma discussão preliminar. Na audiência Pública, critiquei arduamente, após a propositura da LDO, pelo conteúdo que deixou de fora políticas importantíssimas e a falta de diálogo novamente com a casa legislativa e com a sociedade civil de uma forma geral (sindicatos, movimentos sociais, conselhos). Apresentei nove emendas dentro do prazo, das quais sete foram aprovadas pela comissão redação de leis, comissão de orçamento, além de ter parecer Jurídico da casa favorável. Cada emenda com várias metas importantes para a vida do município.

Todas as emendas que tratavam das pautas trabalhadas no meu plano de Vereança, para trabalhar com a população excluída, foram asfixiadas sumariamente, mesmo com as bençãos da legalidade da própria casa. Fora que na mesma semana um relevante projeto que implantaria no município o Censo Inclusão também foi derrotado mesmo sendo uma propositura constitucional e que não acarretaria despesas aos cofres públicos, trazendo grandes benefícios às pessoas com deficiência. Um vereador não pode ser retaliado e perseguido apenas por exercer o seu direito constitucional do exercício pleno do seu mandato, isso é um absurdo!
Minha história tem uma marca que por onde passo, sempre deixo. Tenho um legado: a coerência e minha luta por inclusão! Passei pelo presídio, pelo Centro universitário onde ensino até hoje, pelas secretarias onde estive à frente das políticas e sempre deixei a coerência e a fidelidade às minhas pautas como meu principal legado, e na Câmara de Vereadores não seria diferente.

Continuo firme e fiel as minhas pautas de luta e bandeiras que carrego. Se há infidelidade, certamente não é de minha parte. Sempre caminhei com a democracia, com o trato deliberativo, falando sobre igualdade e equidade de direitos e autonomia. E isso faz parte da minha caminhada e é o que garante a manutenção do Estado democrático de Direito e o fortalecimento das instituições, a exemplo do Poder Legislativo! O Legislativo é importante, temos uma grande contribuição a dar a nossa cidade e não podemos ser tratados como um poder de segunda categoria. Acho um absurdo em pleno século XXI viver como se estivesse num feudo e ser perseguida e silenciada por não concordar com a tutela do meu mandato! Defenderei a democracia representativa até o último dia de trabalho na Câmara de Vereadores! Vim da periferia, da escola pública e da política estudantil, fui formada com os meus irmãos na resistência, nas lutas, sempre pautadas pelo diálogo e pela autonomia do pensamento crítico, assim seguirei firme!

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