Por: Rivio Xavier Jr.
Há pouco tempo atrás uma figura política desconhecida na Venezuela e no mundo, que em pouco tempo virou o centro das atenções em uma das maiores crises política e humanitária do mundo. Juan Guaidó, 35 anos. Quem é o homem que decidiu fazer frente a Nicolás Maduro?
No que diz respeito à vida pessoal, pouco se sabe. Nasceu em La Guaira (cidade a apenas 30km do norte de Caracas), e é filho de um piloto e de uma professora. Em 1999. Foi durante os tempos de universidade que se tornou politicamente ativo. Foi uma das vozes contra o antigo presidente Hugo Chavez e anos mais tarde, em 2009, fundou o partido político “Voluntad Popular” ao lado de Leopoldo Lopez, uma das vozes mais ativas da oposição. Militante partidário, galgou postos após a condenação de López e a saída do país de outros políticos opositores de peso.
Guaidó, assumiu no início de janeiro deste ano a presidência da Assembleia Nacional (equivalente a Câmara dos Deputados no Brasil), o último órgão estatal sob controle da oposição ao governo Nicolás Maduro. Ele emergiu como o rosto mais visível do movimento nacional e internacional que busca tirar Maduro da presidência por considerá-lo um governante ilegítimo.
Em 10 de janeiro, Maduro tomou posse para um segundo mandato presidencial. Mas a oposição, que não quis participar das eleições em maio, não o reconheceu como presidente legítimo da Venezuela. Tampouco os EUA, a União Europeia ou o Grupo de Lima, que reúne a maioria dos países latino-americanos – entre os quais o Brasil – e o Canadá.
No dia seguinte à posse de Maduro, Guaidó se dirigia a um protesto convocado em Caracas apelando à fórmula do chamado “cabildo abierto”, um mecanismo de participação popular reconhecido na Constituição. Ele chamou Maduro de “usurpador” e convocou o Exército, o povo da Venezuela e a comunidade internacional a apoiar os esforços da Assembleia Nacional para tirá-lo do poder.
Aproveitando o momento e a comoção e o apoio de líderes mundiais, Guaidó se autoproclamou presidente interino em um discurso confuso. Disse que estaria ali de forma temporária, apenas por um momento até que se fizesse novas eleições para presidente, desta vez com a participação da oposição. Ele vai ficando no poder e conseguindo apoio e seguidores, políticos e militares, já está até em reuniões bilaterais, fechando parcerias e nomeando embaixadores venezuelanos, não fala mais em eleições gerais, apenas em tirar Maduro do poder.
E mais uma vez, quando o poder chega as mãos dos homens eles não largam e se agarram como podem, seja de direita ou de esquerda, a única coisa que importa é o poder, como já citava Maquiavel: “dê o poder a um homem e verás que ele é”.
*Rivio Xavier Jr. é professor historiador, analista de política internacional e assessor parlamentar.
