Blog do Dilson Oliveira

Estamos sem ministro da Saúde e sem presidente da República, diz Humberto

Autor de projetos de lei que estendiam o período de inscrições,  ampliavam a isenção do pagamento da taxa e adiavam a realização do Exame  Nacional do Ensino Médio (Enem), o senador Humberto Costa (PT-PE) votou  favorável ao Projeto de Lei nº 1.277/20, aprovado, 75 X 1, na noite  desta terça-feira (19) no Senado. O texto suspende instantaneamente a  aplicação não só do Enem, mas de todas as provas e exames em casos de  calamidade pública decretados pelo Congresso Nacional. O único voto  contrário foi do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A decisão é uma resposta dos parlamentares à insensibilidade do  governo Bolsonaro de se recusar a mudar a data da prova, mesmo que  estudantes – especialmente os mais pobres – estejam prejudicados no  aprendizado em razão da pandemia do coronavírus. O ministro da Educação,  Abrahão Weintraub, chegou a dizer aos senadores, em reunião convocada  para discutir o tema, que o Enem não tinha a proposta de fazer justiça  social nem teria de ser mudado pelo problema da Covid-19.

“É um  completo absurdo. O ministro ri da cara das pessoas, dos alunos da rede  pública, daqueles que não têm condições de estudar remotamente porque  não têm livro, professor, computador, não têm Internet, nem podem pagar  aulas particulares. É uma vergonha que alguém que comande um Ministério  pense assim”, criticou Humberto.

Weintraub anunciou, também à  noite, que o MEC faria uma consulta pública, no fim de junho, sobre o  adiamento. Mas o Senado resolveu dar uma resposta dura ao ministro,  aprovando a suspensão de provas e exames. A matéria seguiu para a Câmara  com o compromisso do presidente daquela Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de  que votará o projeto com urgência.

Durante todo o dia de ontem, a  hashtag #AdiaEnem esteve no topo dos assuntos mais comentados. “O  Senado agiu para diminuir os efeitos de uma desigualdade que esse  governo só acentua. Foi uma resposta incisiva que demos à postura de  descaso e de desrespeito desse presidente e de seu desqualificado  ministro da Educação”, afirmou Humberto.

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