Esta semana a família Pinheiro foi atacada de morte pelo maldito vírus, que nos levou a tio Olivete. Sabe aquela tiazona, carinhosa, amiga, sorridente? Pois é! A Tia Olivete era a meiguice da última tia paterna de nossa família. E se foi sem o cerimonial do sepultamento, do velório, quando os parentes se juntam: “há quanto tempo”?, “estás mais velho”, “E essa barriga”? “Faz tempo que a gente não se vê”. “Pois é, rapaz há quanto tempo? Garçom, mais uma”. Não teve garçom, não bebemos a falecida, não choramos por suas lembranças, por sua presença de tia… Uma saudade enorme. Não teve velório. Não velamos sua morte, não lhe manifestamos as últimas palavras, não lhe demos o último beijo. Filhos, netos, um montão de sobrinhos, ficamos com um vazio por sua perda e com o gosto amargo de culpa por não termos lhe dado o último adeus.
O Vírus venceu, finalmente. Tentou, tentou e lamentavelmente conseguiu. Antes, porém, levou à UTI duas irmãs, um sobrinho e outro foi até entubado, beirando o caminho da passagem definitiva. E ainda foram grampeados pelo maldito mais quatro sobrinhos e um cunhado, de raspão, mas preocupante. Esse vírus está de marcação. Mas, nós somos Pinheiro que se dobra pela força do vento, mas não quebra, fica sempre em pé. E levar nossa tia foi apenas um vacilo na vigilância, no uso de máscara e isolamento.
Queridas leitoras, amigos leitores, desculpem se escrevo contando problemas pessoais, mas o vírus nos pluralizou, somos todos vítimas do mesmo maldito.
“Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando, seus idiotas, que me pedem vacina? Vô comprar onde? Só se for na casa de tua mãe”.
Esta frase vomitativa, chula, desrespeitosa, imoral e imunda foi dita pelo psicopata que ocupa a presidência da república, cargo que vulgarizou com linguagem de peladeiros de várzea. Um nojo, um desrespeito, um deboche aos mais de 260 mil mortos que o vírus levou e vai levar muito mais e, também e principalmente, pelo vulgar comportamento do presidente irresponsável e moleque de não usar máscara e se aglomerar, o que é próprio desse psicopata que, quando fala exala esgoto, é fétido, embrulhante, cospe mijo de cavalo doente. Um verme, o verdadeiro vírus a nos atormentar.
Que o vírus não lhe leve um filho. Quem sabe não ficaria sabendo que as mães que perderam seus filhos não vão parar de chorar nunca, e seu mimimi será sempre o de lamento de pessoas que têm amor, de seres humanos dotados de sentimentos puros e verdadeiros.
Cale-se, psicopata, e apodreça no manicômio judiciário. E idiota é você.
Vê se pode?!
