Era silenciosamente apaixonado por ela, quando adolescente.
Passava por sua calçada em passos lentos, mesmo para vê-la dolorosamente aos beijos com o namorado cafajeste que, ao deixar sua varanda, se juntava aos amigos e, embriagado, se atirava às putas.
Ela não merecia ser
Sofria o sofrimento que ela não sentia, não o tinha, não sabia.
O tempo passava e aumentava sua imensa paixão de calçada.
Ela reformava, os peitinhos lindos trocada por e nas noites de Lua pareciam ser raios iluminando sua paixão. mulher nenhuma, muito menos por kengas de todos os homens.apontavam o horizonte,
Quem sabe, um dia, criaria coragem e despejaria sobre ela toneladas de passos que caminhou em sua calçada, só para admirá-la, ver seu caminhar em pés descalços, tão belos, tão suáveis em unhas pintadas de rosa.
Adorava ver seu sorriso largo, ouvir sua gargalhada melódica reverberando pela avenida, brincando com seu cachorro, carinhosamente… Desejou ser cão. Aprenderia até a latir, mas sua timidez…
Mulher de risada sensual, melódica, delicada, agradava ouvir. O condenado rival sabia despertar seu sorriso, ecoar sua gargalhada…
O homem que faz a mulher sorrir conquista seu coração. E ele era tão tristonho, tão tímido. Mas como ser feliz se o sorriso dela não era pra ele?
A juventude passou. A calçada já não tinha a mesma casa, já não existia ela ali, nem o cachorro brincava…
Até o dia que, após centenas de luas mudarem de roupa no céu, viu o retrato dela em moldura cravejada em ouro. Percebeu que os raios da lua emanam só para continuar iluminando sua beleza, embora sozinha em outra varanda, mas imensamente bela,e parecendo balanço impulsionando lembranças pra lá e prá cá..E sorriu conformado.
Vê se pode?!












