Chega de associar a corrupção só aos políticos, é injusto. Temos os maiores ladrões do mundo, e isso deveria nos encher de orgulho. Afinal, é um título único, inigualável, invejável pelas maiores gangues internacionais.
A polícia encontrou 51 milhões estocados num apartamento que não serviram de provas para condenar o deputado proprietário do dinheiro. “O apartamento não é meu, é de um amigo meu”. E a gente esqueceu, deixou pra lá e é possível que devolvamos ao proprietário o numerário com juros e correção.
Roubo mesmo foi o das seis vigas de aço do antigo Elevado da Perimetral, que pesava 120 toneladas e dezenas de metros, no Rio de Janeiro. Os ladrões chegaram, juntaram as vigas como se junta pega varetas, colocaram em super caminhões que fazem muito barulho, mas ninguém vê, nem viu. “Apesar de todas as medidas investigatórias adotadas, não foi possível se chegar à autoria do furto”, informou o MP que arquivou o processo. Eita nois! Num é de dar orgulho desses ladrões? Passaram sete anos investigando e não descobriram nada. Onde, no mundo, temos ladrões com tanta eficácia na ação delituosa, tanta perícia, inigualável logística?
Algum tempo depois, uma estátua do Marechal Deodoro foi furtada de Praça do Rio de Janeiro. A escultura pesava 400 quilos em bronze. Ninguém sabe, ninguém viu. Pense num povo cego.
Agora, entre o céu, os arrecifes e o mar, defronte ao Marco Zero, em Recife, o lugar mais visitado e movimentado da cidade, pequenas esculturas doadas pelo artista Francisco Brennand foram surrupiadas, depois roubaram as tartarugas em bronze, outras pequenas peças, e ninguém viu. Eita, povo leso da gota serena.
Daí, silenciosamente, ao longo de anos, vendo que a vigilância era inexistente, pois o prefeito estava em campanha para eleger seu sucessor, os eficientes ladrões surrupiaram uma serpente de bronze de 20 metros de comprimento, um metro e meio de altura e algumas toneladas em peso. E ninguém viu. Roubaram também o Pelicano e alguns atobás. A prefeitura, em nota, diz monitorar o Parque das Esculturas com câmaras instaladas nos mastros das naus de Cabral, que vagam pelos mares, qual a inteligência dos responsáveis pelo monitoramento do Parque das Esculturas.
Diante das críticas pelos furtos, deputados se apressaram em conseguir emendas parlamentares no valor de cinco milhões de reais para recuperação, manutenção e vigilância do local, no que foram aplaudidos pelo atual e futuro prefeitos da capital. Ah! Então, tá! O crime verdadeiramente compensa! Alguém vai se beneficiar desse dinheiro. Quem sabe os ladrões, pois poderão vender o bronze derretido das peças roubadas para confecção das novas esculturas de arte. Gênios.
“No dia que a inteligência policial for direcionada aos receptores, desaparecerão os ladrões. Eita, povo míope da gota serena” – afirmou indignado o famoso filósofo sueco dos aveloses, Sir Solrac Oriehnip.
Vê se pode?!
