Blog do Dilson Oliveira

Coluninha indiscreta

Por Carlos Pinheiro! O poeta no tamborete.

Genésio Guedes tinha a voz miudinha, sussurrante, carinhosa e, na velocidade da luz, aplicava injeção que “Nem doeu”, como dizia a criança antes apavorada com medo da torturante agulha que o farmacêutico manobrava com habilidade malabarista. Certa feita, mulher com o semblante carregado pela humilhação do pedir, por não ter dinheiro para pagar o remédio para o filho doente nos braços, teve gratuitamente o tratamento e ainda levou uns trocados do comerciante para a compra do pão. Era o humanista Genésio Guedes na manifestação da solidariedade humana sem holofotes. Perguntado como distinguia o miserável do picareta, afirmou com a tranquilidade do homem conhecedor do ser humano.
– Pelos pés. – afirmou com segurança.

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