Por Carlos Pinheiro!
É difícil afirmar com certeza quem nasceu primeiro: Agenor Farias, o locutor, ou a Rádio Cultura do Nordeste, já que ambos têm mais de meio século de existência.
A Feira de Caruaru, programa semanal aos sábados pela manhã, transmitido pela emissora e na voz do artista, é a comprovação de que a cultura e a tradição do forró podem e devem andar juntas por uma existência de sucesso. Não é fácil manter um programa radiofônico tratando o bom e verdadeiro forró por tanto tempo, mas possível, como bem comprovou o Agenor Farias. E a magia esteve sempre na oportunidade que o dedicado radialista deu a pretensos artistas, vocalistas, sanfoneiros, triangueiros, zabumbeiros que invadiam os estúdios da emissora exibindo seus dotes artísticos e, quando não os tinham, Agenor levava na brincadeira e afirmava com total sinceridade:
- Cabra, tu toca ruim que só a gota serena! – e o sujeito procurava outra lavagem de roupa, mas os bons, como o Biu do Pife, compositor e excelente tocador, estão no programa desde a invenção do pife de taquara. E tantos outros fizeram a cultura musical, disputando espaços, e os bons sendo contratados para tocar e cantar em sítios, fazendas e festas populares. Agenor era criador de talentos e sempre divulgando o verdadeiro forró sem sucumbir às alienígenas de música ruim que aparecem e somem numa velocidade meteórica.
A Feira de Caruaru nunca saiu da linha nordestina de tocar e cantar a nossa música, provando que é possível, sim, manter a tradição cultural por tempo indeterminado e, se o programa dura até hoje, é porque tem ouvintes que não se bandeiam para a porcaria sertaneja sem qualidade musical.
Mesmo quando o Rei do Baião estava em baixa na divulgação do forró, provocada pelo surgimento da Jovem Guarda, Agenor nunca mudou a programação e Luiz Gonzaga esteve sempre presente ao lado da Rainha Marinês. Agenor segurou o forró no gogó e na persistência de nossa música, preservando o humor musical do Coroné Ludugero, mesmo depois de sua trágica morte em acidente aéreo e, de maneira inimitável, ainda hoje, o humorista é mantido vivo e respeitado pelos microfones da Rádio Cultura sob o comando competente de Júnior Almeida.
Na renovação de talentos, Agenor fez surgir um baixinho de voz aveludada, o Frank Sinatra do Forró, o nosso Azulão, e então percebendo o grande artista, criou um quadro onde Azulão canta e encanta a nível nacional.
Agenor Farias cumpriu sua missão com dedicação e persistência. Que o programa siga sua trajetória de sucesso na emissora dos Irmãos Almeida sob o comando do Euclides Farias e, ao artista que ora nos faz chorar pela ausência, deixamos agradecimentos pela passagem entre nós, pela alegria que nos deu, pela persistência em valorizar e divulgar o forró.
Que o pife de Biu reverbere composições de Agenor pelo céu soturno de Caruaru e o faça repousar à última morada. Agenor fará falta.
Vê se pode?!












